A vida inteira eu estive lá, no mesmo lugar desde sempre. A vida inteira parado. Olhando atenciosamente àquele pequeno buraco no qual eu acreditava que você existia. Recusava-me a piscar, pois sabia que você poderia se aproveitar daquele instante e fugir. A vida inteira. Mas você nunca passou. Algumas vezes acreditava que era você saindo ali. Mas não era. Era um grande monte de nada, sujo, um sujo nada. Mas eu acreditava que era você. E me distraia. E talvez nesses momentos de distração você aproveitava e aparecia de verdade. E se juntava no nada. E se sujava. E se tornava nada também. Mas era só eu pensar em te perceber e você voltava correndo pro buraco. E eu desistia de nada. E voltava a me atentar para o buraco. A vida inteira. Nada. A vida inteira. Esperando por alguma coisa.
Algumas vezes tentei apelar. Gritar. Abrir. Me enfiar dentro do buraco. Desesperado. Agarrei o nada disse que ele deveria ser alguma coisa. Pedi. Implorei. E nada.
A vida inteira. Passou. Acabou. Nasceu em seu lugar um alguma coisa. Um algo que ainda estranha o nada. Um algo que tem um monte disso. Nasceu um pouco de medo. Um grito no vácuo. Uma lágrima na chuva. Um sorriso no escuro. Nasceu um monte de nada. Repleto de um monte de coisas.
O buraco ainda ta lá. Escuro. Ele ainda ta lá. Já não me atento mais para ele. Quando dou as costas um sentimento estranho aparece. Um talvez. E eu volto a olhar. Mas já não há nada ali.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Minha Maldição:
Ler.
Toda vez que eu leio, de bulas de remédio aos escritos sagrados, não importa, bate em mim uma síndrome de escritor, tento fugir do "se ele/ela pode, eu também posso", exceto, é claro, quando eu leio [li, pelo amor de deus, só fiz isso uma vez] Paulo Coelho.
As palavras, guardadas sabe-se lá onde [onde? tem gente que diz que sabe], começam a se encontrar e, saltitantes, fogem dessa confusão que é a minha mente e vão parar no primeiro lugar que elas encontram, poucas são as vezes em que dou a sorte, ou o azar, não sei, de ter um porto seguro como uma "folha" em branco. Normalmente elas saem, desesperadas, caindo nas janelas dos ônibus, elevadores, ruas, acompanhadas apenas da Lua e de algumas poucas estrelas que ousam me lembrar do que não deveria ser lembrado, do que não precisaria ser lembrado, mas, enfim, não pretendo escrever sobre isso, escrevia sobre o escrever:
Não, não tenho qualquer pretensão a escritor, não é esse meu dom [qual é o meu dom mesmo? tenho um?]. O que eu tenho e me faz cuspir aqui o que eu penso é um excesso de vazio, uma espécie de oco gerador de ecos que, no vácuo, só fazem aumentar ainda mais o vazio, um silencio sendo ecoado por outro silencio que, por sua vez, ecoa outro e assim por diante.
E assim eu escrevo, muitas vezes [se não todas], um monte de nada, mas, sendo meu único bem, um monte de nada ao qual eu me agarro desesperadamente, chorando feito criança e gritando: é meu! é meu! por favor, não me levem tudo o que eu tenho! não me deixem aqui, sozinho, sem (o) nada, apenas esse medo.
Há vezes em que é melhor ter nada do que ter alguma coisa negativa, mas há também vezes em que eu suplico fervorosamente por um alguma coisa, por pior que seja, apenas pra dar uma balançada nesse barquinho que é a vida, uma onda que me engula, que me leve pra passear em Atlântida, para conhecer Poseidon, ou apenas para ser devorado por tubarões, tanto faz, a dor é quase sempre melhor do que essa letargia.
Mas enfim, escritos, o mais interessante de se escrever é o seu silêncio, você fala o que quiser, da forma que quiser e os únicos sons são as sinfonias rítmicas das teclas ou do lápis rabiscando. Um silêncio que muitas vezes grita, mas o grito não sai das mãos do que escrevem, mas de algum lugar oculto dos que lêem.
Um grito...
Acho que é isso...
Toda vez que eu leio, de bulas de remédio aos escritos sagrados, não importa, bate em mim uma síndrome de escritor, tento fugir do "se ele/ela pode, eu também posso", exceto, é claro, quando eu leio [li, pelo amor de deus, só fiz isso uma vez] Paulo Coelho.
As palavras, guardadas sabe-se lá onde [onde? tem gente que diz que sabe], começam a se encontrar e, saltitantes, fogem dessa confusão que é a minha mente e vão parar no primeiro lugar que elas encontram, poucas são as vezes em que dou a sorte, ou o azar, não sei, de ter um porto seguro como uma "folha" em branco. Normalmente elas saem, desesperadas, caindo nas janelas dos ônibus, elevadores, ruas, acompanhadas apenas da Lua e de algumas poucas estrelas que ousam me lembrar do que não deveria ser lembrado, do que não precisaria ser lembrado, mas, enfim, não pretendo escrever sobre isso, escrevia sobre o escrever:
Não, não tenho qualquer pretensão a escritor, não é esse meu dom [qual é o meu dom mesmo? tenho um?]. O que eu tenho e me faz cuspir aqui o que eu penso é um excesso de vazio, uma espécie de oco gerador de ecos que, no vácuo, só fazem aumentar ainda mais o vazio, um silencio sendo ecoado por outro silencio que, por sua vez, ecoa outro e assim por diante.
E assim eu escrevo, muitas vezes [se não todas], um monte de nada, mas, sendo meu único bem, um monte de nada ao qual eu me agarro desesperadamente, chorando feito criança e gritando: é meu! é meu! por favor, não me levem tudo o que eu tenho! não me deixem aqui, sozinho, sem (o) nada, apenas esse medo.
Há vezes em que é melhor ter nada do que ter alguma coisa negativa, mas há também vezes em que eu suplico fervorosamente por um alguma coisa, por pior que seja, apenas pra dar uma balançada nesse barquinho que é a vida, uma onda que me engula, que me leve pra passear em Atlântida, para conhecer Poseidon, ou apenas para ser devorado por tubarões, tanto faz, a dor é quase sempre melhor do que essa letargia.
Mas enfim, escritos, o mais interessante de se escrever é o seu silêncio, você fala o que quiser, da forma que quiser e os únicos sons são as sinfonias rítmicas das teclas ou do lápis rabiscando. Um silêncio que muitas vezes grita, mas o grito não sai das mãos do que escrevem, mas de algum lugar oculto dos que lêem.
Um grito...
Acho que é isso...
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