terça-feira, 5 de maio de 2009

Uma postagem de um blog antigo:

A vida inteira eu estive lá, no mesmo lugar desde sempre. A vida inteira parado. Olhando atenciosamente àquele pequeno buraco no qual eu acreditava que você existia. Recusava-me a piscar, pois sabia que você poderia se aproveitar daquele instante e fugir. A vida inteira. Mas você nunca passou. Algumas vezes acreditava que era você saindo ali. Mas não era. Era um grande monte de nada, sujo, um sujo nada. Mas eu acreditava que era você. E me distraia. E talvez nesses momentos de distração você aproveitava e aparecia de verdade. E se juntava no nada. E se sujava. E se tornava nada também. Mas era só eu pensar em te perceber e você voltava correndo pro buraco. E eu desistia de nada. E voltava a me atentar para o buraco. A vida inteira. Nada. A vida inteira. Esperando por alguma coisa.

Algumas vezes tentei apelar. Gritar. Abrir. Me enfiar dentro do buraco. Desesperado. Agarrei o nada disse que ele deveria ser alguma coisa. Pedi. Implorei. E nada.

A vida inteira. Passou. Acabou. Nasceu em seu lugar um alguma coisa. Um algo que ainda estranha o nada. Um algo que tem um monte disso. Nasceu um pouco de medo. Um grito no vácuo. Uma lágrima na chuva. Um sorriso no escuro. Nasceu um monte de nada. Repleto de um monte de coisas.

O buraco ainda ta lá. Escuro. Ele ainda ta lá. Já não me atento mais para ele. Quando dou as costas um sentimento estranho aparece. Um talvez. E eu volto a olhar. Mas já não há nada ali.

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